18.4.18

Tosta de salmão fumado e funcho caramelizado

Tosta de salmão fumado e funcho caramelizado

Querida Primavera, obrigada por teres vindo. Talvez tenha sido a vontade de muitos em uníssono que se fez sol e luz e afugentou a chuva. Ou talvez tenha sido obra do acaso e os dias cinzentos estejam aí ao virar da esquina. Pouco importa. Enquanto durar é nossa e vamos celebrar. Mesmo que as horas nos escapem por entre os dedos e não haja tempo para cozinhar, faz-se um assalto às receitas rápidas e nutritivas.

Tostas. Longe da mista de queijo e fiambre que conta a história de tantos cafés, hoje as opções são infindáveis e as combinações (quase) ilimitadas. Para uma boa tosta são 3 os factores a ter em conta: o pão, o queijo (ou substituto que possa ser fundido) e os sabores a combinar. Depois é dar largas à imaginação e ligar o grelhador.

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Tosta de salmão fumado e funcho caramelizado

Salmão fumado e funcho caramelizado. Um clássico de ingredientes que ficam bem em conjunto. Para quem procura uma refeição em poucos minutos, a etapa de saltear o funcho pode parecer dispensável. Não é. O segredo desta tosta é o doce e ácido que faz do salmão uma gordura ainda mais deliciosa. E demora literalmente 5 minutos, que valem bem o investimento.

Bem-vinda Primavera!

Tosta de salmão fumado e funcho caramelizado
Tosta de salmão fumado e funcho caramelizado

10.4.18

{ Peixe em Lisboa } Os pratos imperdíveis dos chefs e os Vinhos de Lisboa

Peixe em Lisboa 2018

A cidade que faz do rio o seu mar tem no peixe um dos seus produtos de excepção. Desde sempre parte da identidade gastronómica dos lisboetas, o elogio ao peixe no prato tem o seu tempo de celebração chegado cada mês de Abril com o Peixe em Lisboa. Este ano o evento volta de novo ao Parque Eduardo VII, fazendo do Pavilhão Carlos Lopes a sua casa. É lá, com um cenário de azulejos azuis e brancos a enquadrar, que se fazem debates, showcookings, apresentações de chefs e se cozinha um pouco de tudo dentro do tema.

Com a presença de 10 restaurantes e dos Vinhos de Lisboa esta é uma boa oportunidade para provar os pratos dos chefs e explorar a região de Lisboa a partir dos seus produtores. Dos mais bonitos ao mais surpreendentes, dos viajados aos perfeitos para dias de chuva, passando pelos clássicos, contemporâneos e mais tradicionais ou com sabor a rio, a escolha é muita e estes são (até à data) os nossos preferidos

Peixe em Lisboa 2018

30.3.18

Coroa de Páscoa (com citrinos e amêndoa)

Páscoa, um bolo e uma caça aos ovos

Começar de novo é o espírito destes dias. Renascer. A Páscoa faz-se de desejos de uma nova vida, do início de um tempo em que a natureza se reinventa e da promessa de oportunidades novinhas em folha para quem as quiser apanhar. Da festa religiosa ganha-se a narrativa, do coração recebe-se a esperança de um novo futuro.

Entre ovos, coelhinhos, amêndoas e chocolate, as referências da época parecem ensombrar outras tradições. Não vale esquecer os folares, as tranças e os (meus favoritos) bolos fintos. Se quiserem, há ainda as verdadeiras coroas trabalhadas de maneira a arrancar ainda mais sorrisos. Nada que desmoralize a receita de hoje, que não recebe lições de beleza ou sabor de nenhuma outra.

Páscoa, um bolo e uma caça aos ovos
Páscoa, um bolo e uma caça aos ovos
Páscoa, um bolo e uma caça aos ovos

A bem da verdade trata-se de um bolo. Lêvedo. Sem buraco. Chamar-lhe coroa é fazer uso abusivo da semântica. E contudo ao olhar para o seu ar altivo, encimada com amêndoas laminadas e coroada por um círculo perfeito de claras e açúcar, a cheirar a limão e laranja, nada parece mais ajustado. Havemos de cortar fatias grossas e barrá-las com lemon curd enquanto bebemos café. Desejamos que a vossa mesa seja da celebração do recomeço. Um que vos faça falta.

Boa Páscoa!

Páscoa, um bolo e uma caça aos ovos

27.3.18

Losar, a celebrar o ano novo n'Os Tibetanos

Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)

O ano novo tibetano começa no dia exacto em que a lua determina o início de um ciclo pronto a estrear. Para os tibetanos, o Losar mistura práticas sagradas e seculares, com orações e danças num clima de festa que dura três dias e marca um tempo de purificação e renovação. Este ano a celebração teve lugar a 16 de Fevereiro e n'Os Tibetanos o sol recebe-nos engalanado e com roupagem colorida, com a energia positiva e auspiciosa a fluir pelo espaço. Na mesa, esperam pelos convidados uma chávena de chá e um prato de bolinhos bonitos chamados khapse, cada um contendo uma frase inspiradora.

O restaurante que há 40 anos foi o primeiro vegetariano em Lisboa partilha casa na rua do Salitre com o Templo e a escola budista, que inclui o centro de Yoga e Meditação Yoguini Gompa no 1º andar. Juntos pela filosofia de vida e pelo caminho desenhado na visão de um mundo melhor, os tibetanos não seguem uma dieta vegetariana embora o desejo de respeito pelo meio envolvente leve naturalmente a essa escolha.

Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)

Na viagem que aceitei fazer até ao Oriente fui acompanhada pelo Pedro e pelo Paulo Bengala, sócio d'Os Tibetanos, que nos levou numa conversa acompanhada de almoço. Por lá encontrámos entradas que fazem da técnica dos pastéis recheados uma nova dimensão de sabor: entre o rebordo enrolado dos Sha Paklé (com seitan e vegetais) e o crocante dos afamados Triângulos de queijo, fico viciada em Ting Momos. Esta espécie de pão tibetano pode ser cozido no vapor e vem acompanhado com queijo e molho (não muito) picante, oferecendo a cada dentada uma textura muito curiosa.

Feita de muitas referências, esta é uma cozinha que expressa mais a forma de estar da cozinheira que lhe dá voz e não procura classificações: Phuntsok Dolma serve uma combinação de sabores do seu Tibete e múltiplas referências ocidentais. Depois das entradas, espera-nos novas descobertas quando os pratos começam a chegar.

Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)
Os Tibetanos (ou como celebrar o Losar)

12.3.18

{ Terras de Oiro } Um azeite especial encontra o traço de Manuel Cargaleiro

Azeite Rodoliv, Edição especial Cargaleiro

É em Vila Velha de Rodão que os rios se encontram e a terra se faz de serra até chegar às casas. Pelo meio um olival orgulhoso, construído na paisagem sinuosa onde os cursos de água determinam caminhos e passagens, desenhando o território que tem no azeite um dos seus produtos-estrela. As Terras de Oiro são assim ponto de partida e de chegada de um percurso feito ao longo de séculos, inscrito no ADN de todos os seus habitantes, dando nome à promoção da região.

Neste cenário, a azeitona e os processos pelos quais o oiro líquido se forma são parte da vida de todos os dias e da história da vila. A Rodoliv - Cooperativa de azeite de Rodão desafia o paladar de quem tem no azeite um ingrediente incontornável e, por que os olhos também comem, alia-se ao mestre Manuel Cargaleiro para uma edição especial onde o rótulo também deve ser apreciado. Saber mais sobre o azeite, a sua proveniência e as suas estórias é um desafio a que a embalagem não é alheia e é deixado em forma de convite para ir até à Beira Baixa

Azeite Rodoliv, Edição especial Cargaleiro
Azeite Rodoliv, Edição especial Cargaleiro

2.3.18

Topo Belém, a nova cozinha portuguesa virada para o Tejo

Topo Belém, Lisboa

Lisboa tem no rio o princípio e o fim dos seus recomeços. As varandas voltadas para ao Tejo fazem da zona ribeirinha um local privilegiado para viver, passear ou partilhar a mesa. No Topo Belém alia-se a localização privilegiada ao conforto de uma carta que revisita a cozinha portuguesa com um olhar renovado. Apanágio também de outros restaurantes do grupo, a vista inspiradora do terraço é servida a par da promessa de sabores e aromas que aqui são mais tradicionais.

Da mão do chef executivo Ricardo Benedito saem propostas que oferecem re-interpretações de clássicos como os peixinhos da terra, numa alusão aos seus homónimos da horta: cogumelos enoki surgem envoltos em tempura estaladiça e servidos na companhia de uma boa maionese de algas. Com o mesmo cuidado e rigor na fritura, chegam à mesa os muito falados pastéis de bacalhau com molho de arroz de feijão. Diz o chef que se trata de uma ideia simples, em que o tradicional arroz de feijão é reduzido a puré que serve como molho. Entre pequenas dentadas e mais um pouco de molho (à colher!), há todo o imaginário familiar de sabores que têm tudo para ficar bem juntos.

Topo Belém, Lisboa
Topo Belém, Lisboa

Se as técnicas podem ser as mesmas e mudar os ingredientes (ou vice-versa), há também lugar para o uso de produtos muito portugueses como a castanha e a carne de caça numa versão de sopa bem-vinda num dia de chuva e frio. Cada colherada de aveludado de castanha e perdiz serve de pretexto para apreciar o espaço idiossincrático em que o restaurante se abre sobre uma das galerias do CCB no andar inferior. É contudo nas janelas corridas que fica o terraço e, não fosse a inclemência da meteorologia, não haveria melhor lugar para almoçar. Mas enquanto não chega o Verão, é bom ficar no interior e namorar os bonitos candeeiros que pontuam o espaço. Da sua luz, fazemos uso quando nos chegam os pratos principais e o sol não está pelos ajustes.

O aromático arroz de javali com castanhas piladas e cogumelos faz certamente os encantos dos amantes dos pratos de caça e é o rei da mesa. A minha escolha de pampo, xerém de coentros e bivalves é talvez menos ajustada ao tempo que faz lá fora mas traz tudo o que me apetece comer: um peixe de pele crocante, sobre a textura de comida de conforto do Xerém e os coentros frescos, na companhia de suculentas amêijoas. Feliz da vida, estou capaz de passar a sobremesa. Ou talvez não.

Topo Belém, Lisboa

22.2.18

Salada morna de batata-doce, tofu e kale (com molho chimichurri vermelho)

Salada quente de batata-doce e tofu (com molho chimichurri vermelho)

Luz sem fim e dias que começam a parecer Primavera. A última semana em Lisboa trouxe boas energias em forma de céu azul e flores a despontar. Promessa de uma estação mais esperançosa, as árvores mudam o seu perfil despido por um mais composto e nos canteiros surgem mil cores sob a forma de pétalas, maiores e mais pequenas. Da vontade de mudar também a cara do prato, abre-se a época das saladas mornas.

Gostar de provar novos ingredientes, receitas desconhecidas ou combinações pouco prováveis é sinónimo de curiosidade sem fim. A minha nunca se gasta e estou sempre pronta a explorar mundos nunca antes desbravados. E se cozinhar é ritual de todos os dias, sabendo o que leva o prato que nos chega à mesa, também não há qualquer problema em abrir a despensa e usar produtos já preparados desde que a qualidade seja boa. A última prova muito bem sucedida foi o molho chimichurri vermelho da Casa do Vale.

Salada quente de batata-doce e tofu (com molho chimichurri vermelho)
Salada quente de batata-doce e tofu (com molho chimichurri vermelho)

O molho chimichurri tem a sua história na América Latina com duas versões, verde e vermelha, sendo um acompanhamento comum das carnes grelhadas na Argentina e no Uruguai. Feito de salsa, orégãos, vinagre de vinho tinto e alho, a sua versão vermelha tem a adição de pimentos vermelhos assados ou tomate. Na versão maravilhosamente colorida da Casa do Vale há também o sabor único da pimenta rosa, que lhe dá igualmente textura.

O pretexto para um almoço vegetariano a dois veio das páginas de um livro bonito. Mighty Salads é a colectânea perfeita para os amantes de saladas e vai, claro, muito além das opções clássicas. Na receita escolhida (e muito alterada) é o tofu que oferece a proteína mas o papel principal pertence à batata-doce e à couve kale, com o arroz selvagem encarregue da textura. O segredo está no molho, que une todos os componentes, quando os misturamos no prato!

Salada quente de batata-doce e tofu (com molho chimichurri vermelho)